Azeite brasileiro atinge nota máxima e é eleito o melhor do mundo em concurso na Suíça
Azeite Estância das Oliveiras Frantoio, produzido em Viamão, no Rio Grande do Sul, conquistou a nota 100/100 no European International Olive Oil Competition (EIOOC) 2026
Em um feito histórico para a agricultura brasileira, o azeite Estância das Oliveiras Frantoio, produzido em Viamão, no Rio Grande do Sul, conquistou o prêmio máximo no European International Olive Oil Competition (EIOOC) 2026. O rótulo venceu como o "Best in Show" — o melhor entre todos os competidores —, e atingiu a pontuação perfeita de 100/100, uma marca descrita pela organização como extremamente rara.
A decisão do júri internacional, composto por especialistas de diversos países, foi unânime. O anúncio oficial ocorreu neste mês de abril, em Genebra, colocando o Brasil no topo de uma competição que reuniu mais de 200 marcas de potências tradicionais como Espanha, Itália, Grécia e França.
A elite da olivicultura mundial
O reconhecimento foi formalizado por Raouf Chouket, presidente do concurso, que destacou em mensagem à família Goelzer o caráter excepcional do resultado. Segundo Chouket, a nota máxima coloca a marca brasileira na "elite mundial dos azeites de oliva extra virgem", ressaltando o equilíbrio sensorial e a qualidade impecável do produto.
Para a Estância das Oliveiras, uma fazenda 100% familiar localizada a apenas 28 km de Porto Alegre, o prêmio consolida uma trajetória de ascensão meteórica. Em 2025, a marca foi eleita a 3ª mais premiada do mundo e a 1ª do Brasil pelo EVOO World Ranking.
Além disso, na última safra, a empresa ocupou da 1ª à 7ª posição entre os melhores azeites brasileiros no ranking mundial — um feito inédito na história da olivicultura. Desde 2019, a vinícola já acumula mais de 250 prêmios internacionais.
'Algo que nunca tínhamos visto'
A conquista da nota máxima causou surpresa até mesmo nos produtores. "100/100 nunca tínhamos visto em nenhuma competição", afirmou Rafael Goelzer, diretor da Estância, à Itatiaia.
O mestre de lagar e responsável pela produção, André Goelzer, reforçou o valor simbólico do troféu: "Receber um reconhecimento desta magnitude honra nossa família, nosso terroir e nosso país. É a prova de que o Brasil produz azeites entre os melhores do mundo", celebrou.
A vitória em Genebra reforça o papel do Rio Grande do Sul como o principal polo de azeites de excelência no Brasil. A competição integra o prestigiado grupo GIOOC, focado em estabelecer padrões globais de qualidade para o setor. Enquanto os demais premiados da edição 2026 serão revelados nesta quarta-feira (22), a Estância das Oliveiras já garantiu o lugar mais alto do pódio, elevando a bandeira brasileira no exigente mercado europeu.
Conheça a história da família Goelzer
A Estância das Oliveiras começou pela indignação do fundador, Lucídio Goelzer. Ele trabalhou por muito tempo no comércio exterior e nas viagens, experimentou azeites maravilhosos e ao voltar ao Brasil sentia que faltava a qualidade nos produtos do Brasil.
Segundo o filho e diretor da Estância, Rafael Goelzer, o pai transformou a indignação em ação. "Ele chegou: 'Olha, eu vou parar de reclamar e eu vou produzir o meu próprio azeite'. E a ideia inicial não era ter um produto comercialmente, era de fato produzir para nossa família, o azeite de oliva. E na época, ele começou a estudar sobre a cultura e começou a visitar em cada um dos países que ele ia, os lagares [máquina onde é feita a extração das azeitonas]", contou o diretor à Itatiaia.
Por volta de 2004, após estudar e analisar, seu Lucídio viu grande potencial na região de sua fazenda em Viamão, para se tornar uma unidade de pesquisa da olivicultura brasileira. Na época, segundo Rafael, a Embrapa estava lançando o projeto nacionalmente para colocar 15 unidades de pesquisa no Brasil sobre a cultura. Mas a região da família não estava no mapa.
Após insistência e persistência de Lucídio, a família conseguiu colocar uma unidade de pesquisa na região.
"Na época eles colocaram cerca de 35 árvores, só que é muito pouca quantidade isso para produzir azeite. Meu pai foi e colocou mais mil árvores de investimento próprio, no risco total. Cinco anos depois fomos a melhor unidade de pesquisa", contou Rafael.
Início da produção de azeite
Com a conquista e comprovação da região propícia para a olivicultura, a família começou a produção de azeite.
O irmão de Rafael, André Goelzer se formou em mestre lagareiro na Itália, para manusear a máquina e instalação (o lagar) para fazer a extração das azeitonas.
A marca foi lançada oficialmente em 2019, mesmo ano que a família enviou o azeite para a primeira premiação. "A gente começou a participar dos prêmios, porque o nosso objetivo com a participação não é acumular medalhas era avaliação. O nosso objetivo ainda é a avaliação de cada safra. É colocar o nosso azeite à prova sendo submetido na avaliação dos mais rigorosos paladares do planeta", explicou Rafael.
Mesmo sem a intenção, o azeite Estância das Oliveiras foi premiado logo no primeiro ano. Desde então já são mais de 250 medalhas.
Qual o segredo do sucesso?
À Itatiaia o diretor Rafael explicou o que faz um azeite ser premiado.
"O que faz com que um azeite conquiste tantas premiações é a complexidade desse azeite com zero defeito. A complexidade é quantas notas de sabor diferente esse azeite consegue atingir. Por exemplo, ervas frescas; amêndoa; picância; frutado que daí tem uma infinidade, maçã, kiwi, tomate, pêssego, até mirtilo", explicou Goelzer.
Sobre as notas de sabor, ele explica que nenhuma é inserida dentro desse azeite. "Essas notas de sabor vem através do terroir, uma composição de características naturais que compõem clima, temperatura, umidade, pluviosidade, solo, tipo de solo da região da fazenda", explica.
"Azeites maravilhosos, eles atingem até sete notas de sabor. Os nossos azeites da Estância, nas competições internacionais, tem atingido de 12 a 14 notas de sabor. É de fato uma explosão de sabores dentro de uma única garrafa", afirma Goelzer.
Segundo Rafael, a "explosão de sabores" vem de uma técnica de produção, que influencia desde o terroir mas também o trato cultural com a árvore, a colheita feita da azeitona de forma manual, o tempo entre a colheita e a extração do azeite. Na Estância das Oliveiras, o tempo médio é de 2 a 3 horas entre colher a azeitona e já extrair e transformar em azeite
Além disso, a família Goelzer conta com o cuidado no engarrafamento com embalagens de cerâmica, mais eficazes que vidro escuro que protege contra os três inimigos do azeite: luminosidade, alta temperatura, oxigênio e luz. Além da produção de azeite, a fazenda Estância das Oliveiras conta com experiências turísticas guiadas pela mãe de Rafael e esposa de Lucídio.







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