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Montanha de dinheiro em casa de auditor expõe esquema bilionário no Porto do Rio

Operação Mare Liberum da PF e Receita Federal desarticula rede de corrupção que facilitava contrabando e descaminho


Montanha de dinheiro em casa de auditor expõe esquema bilionário no Porto do Rio

Uma “montanha de dinheiro” em espécie foi encontrada pela Polícia Federal na residência de um auditor fiscal da Receita Federal em Niterói, durante a Operação Mare Liberum, deflagrada nesta terça-feira (28). Dólares ainda eram contados quando os primeiros agentes deixavam o local, somando-se a outros milhões apreendidos em reais e moeda estrangeira em endereços de servidores públicos. A ação conjunta da PF, Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF) mira um esquema de corrupção instalado na alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Investigadores apontam que importadores, despachantes aduaneiros e servidores liberavam cargas irregulares – muitas enquadradas nos canais vermelho e cinza de risco – em troca de propinas que chegam a dezenas de milhões de reais. 

Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio, Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES). A Justiça afastou 25 servidores da Receita (17 auditores fiscais e 8 analistas tributários) e bloqueou até R$ 102 milhões em bens dos envolvidos. Entre as apreensões, destacam-se US$ 350 mil em dólares (incluindo R$ 200 mil em Niterói e R$ 358 mil na casa de uma auditora na Barra da Tijuca), cerca de R$ 1 milhão em reais e 54 garrafas de vinho avaliadas em R$ 700 cada, encontradas na residência de um despachante. 

As fraudes envolveram cerca de 17 mil Declarações de Importação (DIs) entre julho de 2021 e março de 2026, movimentando R$ 86,6 bilhões em mercadorias. O prejuízo estimado aos cofres públicos gira em torno de R$ 500 milhões, com subfaturamento, declaração falsa de produtos e irregularidades na admissão temporária, especialmente no setor de óleo e gás. 

A investigação começou em 2022 pela Corregedoria da Receita Federal, com base em logs de sistemas, relatórios financeiros e análises de dados. Os investigados podem responder por corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.A PortosRio informou que o porto segue operando normalmente, pois a ação atinge apenas órgãos federais de fiscalização. O caso segue em apuração para identificar mais beneficiados pelo esquema.




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