Aliados de Lula e Messias preparam ação no STF
Após rejeição histórica de Messias no Senado, grupo de juristas articula questionamento à atuação de Davi Alcolumbre
Aliados de Lula e Jorge Messias estudam acionar o STF após rejeição no Senado.Na última quarta-feira (29 de abril de 2026), o Senado Federal rejeitou a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação. Trata-se de uma derrota histórica para o governo Lula: a primeira rejeição de um indicado ao STF pelo Senado em 132 anos (a última ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto).
Apesar do discurso público de aceitação da derrota — com o próprio Messias e líderes do governo afirmando que o Senado é soberano —, aliados próximos ao presidente e ao AGU articulam uma reação jurídica. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e amigo pessoal de Lula e Messias, lidera o movimento. Ele está reunindo juristas e dirigentes partidários para analisar a condução do processo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo Marco Aurélio, há indícios de possível “desvio de finalidade” na atuação de Alcolumbre durante a sabatina e a votação. O argumento é que o Senado teria extrapolado seus limites constitucionais, que se restringiriam a verificar os requisitos de “notável saber jurídico e reputação ilibada” do indicado. Uma vez preenchidos esses critérios, a aprovação seria “vinculada”, na visão do advogado. O objetivo não seria forçar a aprovação de Messias, mas discutir os limites entre os Poderes no processo de indicações ao STF.
O grupo deve apresentar sugestões a Lula, que decidirá se formaliza uma ação no Supremo. Nos bastidores, o governo atribui a derrota a articulações de Alcolumbre com a oposição, pressões políticas e até influência de ministros do STF que defendiam outros nomes (como Flávio Dino ou Alexandre de Moraes). A rejeição tensiona ainda mais as relações entre Executivo e Legislativo, especialmente a poucos meses das eleições. Lula deve indicar um novo nome para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, e o caso reforça o debate sobre o equilíbrio de poderes na República.







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