Aliada de Lula na Paraíba é denunciada por suposto desvio de R$ 10,3 milhões em programa de alimentação para vulneráveis
Aliada de Lula na Paraíba é denunciada por desvio de R$ 10,3 milhões no programa Prato Cheio
O Ministério Público da Paraíba (MP-PB), por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou nova denúncia no âmbito da Operação Indignus. A ação investiga fraudes e desvios de recursos públicos no programa estadual Prato Cheio, que distribuía refeições a pessoas em situação de rua em cinco municípios paraibanos, incluindo João Pessoa.
Entre os 16 denunciados está Pollyana Werton (também grafada como Pollyanna), ex-secretária de Desenvolvimento Humano do governo João Azevêdo (PSB). Aliada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba, Werton tem trajetória que inclui passagem pelo PT e pelo PSB. Ela disputa vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. Segundo o MP, a ex-secretária teria recebido R$ 70 mil em propina. As evidências incluem cadernos de anotações apreendidos e conversas em aplicativos de mensagens.
A denúncia, protocolada em 29 de abril, aponta desvios de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2023. Um grupo de empresas controlado pelo empresário Kildenn Tadeu de Lucena seria o principal beneficiário do esquema. Ao todo, 16 termos de colaboração movimentaram cerca de R$ 21,6 milhões no período. Refeições “fantasmas”O programa Prato Cheio previa a entrega de 4 mil refeições diárias só em João Pessoa. Na prática, depoimentos de ex-funcionárias indicam que apenas cerca de 1,5 mil eram efetivamente servidas. Mesmo assim, os contratos eram pagos integralmente, segundo as investigações. O Gaeco pede reparação total de R$ 30 milhões — R$ 10,3 milhões pelos desvios e R$ 20 milhões por dano moral coletivo. Além de Pollyana Werton, foram denunciados o ex-secretário Tibério Limeira (PSB), apontado como receptor de R$ 50 mil em propina, o padre Egídio de Carvalho, ex-diretoras do Hospital Padre Zé, um servidor público e o empresário Kildenn. Os crimes imputados incluem peculato, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva. Defesa das acusadasA assessoria de Pollyana Werton informou que ela “até o presente momento, não foi formalmente intimada pelas autoridades competentes, nem sua defesa teve acesso aos autos ou ao inteiro teor da acusação”. A nota acrescenta que “os fatos aconteceram antes da sua gestão”. Tibério Limeira divulgou nota classificando a exposição pública como “profundamente preocupante” em um Estado Democrático de Direito e afirmou não ter sido chamado para prestar esclarecimentos anteriormente. A Operação Indignus continua em andamento e deve gerar novas etapas de investigação sobre o uso de recursos destinados a políticas de segurança alimentar no estado. O caso expõe mais uma vez fragilidades no controle de programas sociais voltados à população em vulnerabilidade.







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