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Rombo de R$ 1 trilhão na conta de luz

Decisões de Lula e do Congresso vão custar quase R$ 1 trilhão aos brasileiros até 2050


Rombo de R$ 1 trilhão na conta de luz

Um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia revela que decisões tomadas no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela atual legislatura do Congresso Nacional geraram uma despesa extra estimada em R$ 985 bilhões na tarifa de energia elétrica até 2050. O montante, próximo de R$ 1 trilhão, será repassado aos consumidores ao longo das próximas décadas, independentemente de reajustes anuais, inflação ou bandeiras tarifárias. O valor equivale a cerca de seis vezes o orçamento anual do Bolsa Família ou cinco vezes o do Minha Casa, Minha Vida. Se distribuído igualmente, representaria quase três salários mínimos para cada um dos 213 milhões de brasileiros. Principais responsáveis pelo custo extraEntre os principais itens estão:
  • Despesas não previstas no Tratado de Itaipu (cerca de R$ 21,1 bilhões).
  • Prorrogação de benefícios e incentivos a projetos de energias renováveis.
  • Contratações para garantir suprimento de energia em horários de ponta, especialmente com o crescimento da geração solar distribuída. 
O caso mais emblemático é o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março de 2026. Ele sozinho deve adicionar R$ 546 bilhões à conta de luz — mais da metade do total projetado. O certame contratou quase 19 GW de potência (equivalente a uma Itaipu e meia), com preços elevados devido a atrasos, ajustes de última hora nos tetos e baixa concorrência. Críticos apontam falhas no planejamento, como preços-teto revisados em até 100% em poucos dias e contratação prioritária de térmicas a gás e carvão em vez de uma disputa ampla com todas as fontes. Críticas ao setorLuiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, afirma: “O setor está uma desordem. Como falta um arcabouço regulatório adequado para as transformações em curso, o governo e o Congresso fazem ações desconexas para atender demandas pontuais, e o resultado é esse”. Ele defende uma reforma profunda do modelo energético a partir de 2027. Setores da indústria também repercutem o descontentamento. Lucien Belmonte, do movimento União Pela Energia, descreve o modelo como “uma fábrica de penduricalhos sem sentido” que encarece a produção e reduz a competitividade. Empresários da Fiemg e da FecomércioSP destacam impactos especialmente sobre médias e pequenas empresas, onde a energia pode chegar a 40% dos custos operacionais. Resposta do governoO Ministério de Minas e Energia contestou a metodologia do levantamento, classificando-a como “inadequada e superficial”. Segundo a pasta, é necessário considerar os benefícios das políticas públicas implementadas, como expansão de renováveis e programas de universalização. O governo argumenta que as medidas visam segurança energética e transição para fontes limpas em um cenário de crescimento da demanda (incluindo data centers) e desafios climáticos. Contexto de alta nas tarifasDesde o início do governo Lula 3, a conta de luz de uma família média em São Paulo (200 kWh/mês) subiu de cerca de R$ 185 para R$ 220 — alta de 18,4%, acima da inflação no período. Apesar do excesso de geração renovável barata em alguns momentos, a energia residencial foi um dos itens que mais pressionaram o IPCA. O rombo projetado na conta de luz reforça o debate sobre a necessidade de reformas estruturais no setor elétrico brasileiro, que enfrenta intermitência das renováveis, crescimento da geração distribuída e pressão por segurança no suprimento. Enquanto consumidores e indústrias sentem o peso no bolso, o tema deve ganhar ainda mais relevância na campanha eleitoral de 2026.




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