Picanha sobe, promessa desce: inflação pressiona e pesa contra Luiz Inácio Lula da Silva
Com alta de quase 10% no ano, carne símbolo de campanha vira retrato da perda de poder de compra e expõe o impacto da inflação de alimentos em ano eleitoral
A alta no preço da picanha voltou ao centro do debate econômico e político em 2026 — e com um detalhe que não passa despercebido: a picanha que foi prometida, ao que tudo indica, não veio. Um dos cortes mais simbólicos do consumo brasileiro registra aumento próximo de 10% no acumulado do ano, refletindo um cenário mais amplo de pressão inflacionária sobre os alimentos.
O impacto é direto no bolso da população e se transforma em um fator sensível para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em um contexto eleitoral. Afinal, quando o discurso encontra a realidade do açougue, o resultado costuma ser indigesto — e caro.
De acordo com análise do jornalista Álvaro Gribel, a elevação dos preços dos alimentos — com destaque para as carnes — representa um dos principais desafios da atual gestão. E não é preciso muita conta: quando a carne sobe, o humor do eleitor desce.
A picanha, que já foi símbolo de promessa de prosperidade e poder de compra, agora reaparece como termômetro da frustração. Aquela imagem do churrasco farto parece, hoje, mais próxima de uma lembrança do que de uma realidade. No lugar da fartura, o consumidor encontra preços mais salgados — e não é só no tempero.
Especialistas apontam que o encarecimento da carne está ligado a uma combinação de fatores, como a valorização do boi gordo, o aumento das exportações e os custos mais elevados na cadeia produtiva. Tudo isso ajuda a explicar o fenômeno — mas não alivia o impacto no carrinho de compras.
E o problema não para por aí. A inflação de alimentos segue pressionando outros itens básicos, como arroz, feijão e leite, ampliando a sensação de perda de poder de compra. Para muitas famílias, o ajuste tem sido inevitável: trocar cortes, reduzir consumo ou, simplesmente, abrir mão.
Para o governo, o desafio é conter a inflação sem comprometer o crescimento econômico — e, principalmente, sem comprometer a narrativa. Em ano eleitoral, cada centavo pesa. E cada promessa também.
Enquanto isso, o consumidor brasileiro segue fazendo contas — e talvez reformulando o cardápio. Porque, no fim das contas, entre o discurso e o prato, a distância parece ter ficado maior.





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