Polilaminina: a descoberta brasileira que reacende esperança para quem vive com lesão medular
A polilaminina, descoberta brasileira que devolve movimentos a paraplégicos e tetraplégicos, avança para testes clínicos oficiais pela Anvisa.
Após mais de 25 anos de dedicação silenciosa à ciência, a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), transformou uma proteína natural do corpo humano em uma das maiores promessas da medicina regenerativa brasileira: a polilaminina.Derivada da laminina – proteína essencial extraída de placentas humanas e recriada em laboratório –, a substância é aplicada diretamente na medula espinhal lesionada. Seu objetivo é recriar um microambiente favorável à regeneração neural, permitindo que axônios (as "fibras" dos neurônios) se reconectem e restaurem funções motoras perdidas em casos graves de paraplegia ou tetraplegia.
Os primeiros resultados experimentais, conduzidos em parceria com o laboratório Cristália, envolveram um pequeno grupo de pacientes com lesões completas na medula (nível A, sem movimento ou sensibilidade abaixo da lesão). De oito voluntários iniciais, seis apresentaram melhoras significativas: recuperação parcial ou substancial de movimentos, sensibilidade e controle motor. Dois óbitos ocorreram por complicações da lesão original, mas os sobreviventes evoluíram para lesões incompletas, com ganhos que a literatura convencional considera raros (geralmente abaixo de 15% em casos semelhantes).
Um dos casos mais emblemáticos é o de Bruno Drummond de Freitas, bancário que sofreu tetraplegia após acidente de carro em 2018. Recebeu a polilaminina em menos de 24 horas e, com reabilitação intensiva, recuperou praticamente todos os movimentos, voltando a uma vida ativa.“É possível que estejamos diante de algo espetacular, mas ainda precisamos de cautela”, afirmou Tatiana Sampaio em entrevistas recentes à BBC e à Folha de S.Paulo. A pesquisadora enfatiza que os resultados preliminares não substituem estudos clínicos completos.
Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou a fase 1 de testes clínicos regulatórios, focada em segurança, com cinco voluntários portadores de lesões agudas torácicas recentes (T2 a T10). A aprovação foi priorizada pelo Comitê de Inovação da agência, reconhecendo o potencial de impacto público. Enquanto isso, pelo menos 16 brasileiros obtiveram acesso compassivo via decisões judiciais.Financiada por agências como Faperj e Capes, e desenvolvida em ambiente acadêmico público, a polilaminina coloca o Brasil na vanguarda da regeneração neural. Ainda faltam fases 2 e 3 (eficácia e comparação com placebo) para eventual aprovação definitiva, mas os avanços iniciais já representam um marco: o que era visto como irreversível ganha contornos de possibilidade real.
Para milhares de pessoas com lesão medular no país, a polilaminina não é ainda uma cura, mas uma esperança concreta – fruto de persistência científica brasileira em meio a desafios orçamentários e burocráticos.Fontes: BBC Brasil, Folha de S.Paulo, Veja, O Globo, site da UFRJ, Cristália e Anvisa (2025-2026).Compartilhe se você acredita no poder da ciência nacional!





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