Tragédia dos Mamonas Assassinas: 30 anos após o acidente, o que concluiu o CENIPA
Fadiga extrema, erros na arremetida e colisão controlada contra a serra: o relatório oficial explica a noite que parou o Brasil
São Paulo, 2 de março de 2026 – Exatamente 30 anos atrás, na noite de 2 de março de 1996, o Brasil foi abalado por uma das maiores tragédias da história da música nacional. O jato Learjet 25D, prefixo PT-LSD, que transportava a banda Mamonas Assassinas de volta de um show em Brasília para Guarulhos (SP), colidiu contra a Serra da Cantareira, na Zona Norte da capital paulista, por volta das 23h16. Todos os nove ocupantes — os cinco integrantes da banda (Dinho, Júlio, Samuel, Bento e Sérgio), o piloto, o copiloto, o empresário e um roadie — morreram no impacto.O acidente ocorreu durante a tentativa de pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), órgão da Força Aérea Brasileira, divulgado em 28 de maio de 1996, a causa oficial foi classificada como colisão com o solo em voo controlado (Controlled Flight Into Terrain - CFIT). Não houve falha mecânica na aeronave, mas uma combinação de fatores humanos, operacionais e ambientais levou à tragédia.Principais conclusões do relatório do CENIPAO documento aponta que o voo transcorreu sem anormalidades até a fase final de aproximação para pouso. No entanto, uma sequência de erros e condições adversas resultou na perda de controle da situação:
- Fadiga extrema da tripulação: O piloto e o copiloto acumularam cerca de 17 horas de trabalho naquele dia — aproximadamente seis horas acima do limite previsto na regulamentação da época (Lei do Aeronauta). A jornada incluiu múltiplos deslocamentos (de Piracicaba a Guarulhos e depois Brasília), com longos períodos de espera sem descanso adequado. O comandante chegou a relatar cansaço antes do último trecho.
- Fatores humanos e de coordenação: Houve deficiências no treinamento, na coordenação de cabine e na comunicação entre os pilotos. A relação entre o comandante (de temperamento autoritário) e o copiloto (mais passivo) foi agravada pelo estresse e pela exaustão, levando a decisões inadequadas durante a arremetida (procedimento de interrupção do pouso).
- Erros operacionais na aproximação: Durante a tentativa de pouso, a aeronave não foi desacelerada corretamente e, em alguns momentos, chegou a ser acelerada indevidamente. A tripulação executou uma arremetida de forma incorreta, possivelmente influenciada por falhas na interpretação das informações da torre e desconhecimento parcial da carta aeronáutica do aeroporto.
- Condições ambientais: A região da Serra da Cantareira apresentava baixa visibilidade noturna, pouca iluminação no solo (área de baixa densidade demográfica) e cobertura de nuvens, o que dificultou a orientação visual dos pilotos.





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