Cármen Lúcia revela pressão da família para deixar o STF
Ministra desabafa sobre ataques machistas e sexistas que sofrem os integrantes da Corte e teme que vagas futuras sejam recusadas
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou nesta segunda-feira, durante evento da Fundação FHC em São Paulo, que sua família constantemente pede para que ela deixe a Corte. O motivo seriam os reiterados ataques “machistas, sexistas e desmoralizantes” que ela e outros ministros vêm sofrendo.
“Todo mundo da família fala: ‘Cármen, sai disso. Chega. Já fez o que tinha que fazer no espaço’”, relatou a ministra, segundo registros de veículos como UOL e Pleno.News. Cármen Lúcia participou de debate sobre transparência no Judiciário e aproveitou o momento para expor o desgaste pessoal e institucional vivido pelos membros do Supremo. Ela expressou preocupação de que, no futuro, candidatos a vagas na Corte recusem o cargo justamente por causa da violência verbal e das pressões que famílias não suportam mais.
“Eu temo na política, eu temo também para os futuros ministros de Supremo. Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique”, declarou. A ministra, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até recentemente, reforçou a necessidade de maior transparência no STF para melhorar a imagem pública e a convivência interna entre os ministros. Apesar das críticas e do apelo familiar, ela sinalizou que segue firme no cargo, mas alertou para os riscos de um esvaziamento de candidaturas de alto nível no futuro.
O desabafo de Cármen Lúcia ocorre em meio a um período de alta tensão no Supremo, com julgamentos polêmicos e críticas constantes vindas de diferentes setores da sociedade. A fala ganha repercussão nacional e reacende o debate sobre os limites do ativismo judicial e o custo pessoal de ser ministro do STF.





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