Raízen Perdeu
Gigante do etanol pede a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil
A Raízen, uma das maiores e mais importantes empresas do setor de energia e agronegócio do Brasil, perdeu feio. Depois de anos de expansão agressiva, a companhia acumulou uma dívida gigantesca e, em 11 de março de 2026, precisou pedir a maior recuperação extrajudicial da história do país, envolvendo cerca de R$ 65 bilhões. Isso não é um detalhe: é um sinal vermelho forte.
Não é só a Raízen. Estamos vendo uma onda preocupante de grandes empresas recorrendo a recuperação judicial ou extrajudicial — casos como o GPA (Pão de Açúcar) vieram praticamente juntos. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de pedidos de recuperação judicial, com milhares de empresas entrando em reestruturação. Em 2026, o cenário continua ruim.
O negócio não está bom no Brasil. Algo está errado, sim.
Temos uma combinação tóxica: juros altos por muito tempo (Selic elevada), custo de capital caro, carga tributária pesada, burocracia excessiva, instabilidade regulatória e um ambiente que dificulta a geração consistente de caixa. Muitas empresas cresceram endividadas demais em um período de dinheiro mais barato e agora pagam a conta quando o vento virou. No caso da Raízen, somaram-se expansão acelerada, resultados fracos no etanol/açúcar e impairment bilionário.
Isso reflete um problema estrutural maior da economia brasileira: falta de previsibilidade, custo Brasil alto e dificuldade de competir ou crescer de forma sustentável. Quando até uma gigante como a Raízen — com sócios fortes como Cosan e Shell — chega a esse ponto, é difícil não questionar o modelo. O empreendedor e o investidor estão carregando um peso excessivo.
Por outro lado, a recuperação extrajudicial é um mecanismo legítimo para tentar salvar a empresa sem paralisar tudo. Melhor renegociar do que falir. Torço para que a Raízen consiga reestruturar, reduzir dívida, melhorar gestão e voltar a gerar valor — o Brasil precisa de empresas fortes no setor de bioenergia.
Mas o quadro geral é preocupante. Enquanto continuarmos com esse ambiente macro hostil, vamos ver mais casos assim. Empresas não quebram só por má gestão; muitas vezes quebram porque o país torna o simples ato de empreender e investir muito mais difícil do que precisava ser. É hora de olhar com seriedade para o que precisa mudar.





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