Navios estão passando pelo Estreito de Ormuz, diz secretário de Energia dos Estados Unidos
Declaração contrasta com o anúncio feito no sábado (20) pelo comando militar iraniano, que afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o Estreito de Ormuz segue aberto para o tráfego marítimo, apesar das tensões na região. Segundo ele, 67 embarcações atravessaram a passagem estratégica nas últimas 24 horas, volume semelhante ao registrado antes da escalada do conflito envolvendo EUA e Irã.
Em entrevista à emissora Fox News, Wright destacou que o fluxo de navios, incluindo petroleiros e embarcações que transportam derivados de petróleo, permanece dentro da normalidade.
A declaração contrasta com o anúncio feito no sábado (20) pelo comando militar iraniano, que afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz em resposta à campanha militar de Israel no Líbano contra o grupo Hezbollah. O governo norte-americano contestou a informação.
De acordo com Wright, o Irã não retirou as minas posicionadas no canal central da via marítima. Para garantir a navegação, os Estados Unidos abriram uma rota alternativa ao sul do estreito e estão realizando escolta de embarcações que utilizam esse corredor.
Apesar de afirmar que o tráfego marítimo continua operando, o secretário reconheceu que persistem preocupações relacionadas à segurança na região, considerada uma das mais importantes para o comércio global de petróleo. O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra parte significativa das exportações mundiais de petróleo e gás natural.
Negociações
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e uma delegação do Irã foram à Suíça para negociações marcadas para este domingo (21), após ataques no Líbano ameaçarem inviabilizar o processo diplomático.
Essas serão as primeiras discussões presenciais entre autoridades dos dois países desde a assinatura de um memorando de entendimento de 14 pontos na semana passada.
Veja abaixo o que deve ser discutido no encontro:
- Guerra no Líbano: O Irã tem insistido que não avançará nas negociações com os EUA se Israel continuar seus bombardeios mortais no Líbano, onde o conflito com Hezbollah ainda está em curso. Um oficial iraniano disse à CNNque esta é a principal questão para a delegação de negociação e que o regime não considera avançar para a próxima fase das negociações até que a situação no Líbano seja resolvida.
- Estreito de Ormuz: No sábado (20), o comando militar do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, citando a questão do Líbano. Os militares dos EUA, por sua vez, negaram que o Irã controle o canal, e o presidente Donald Trump ameaçou impor pedágios americanos na rota de navegação caso um acordo não seja alcançado. Os mediadores estarão empenhados em resolver essas questões e manter o fluxo de cargas pelo estreito.
- Questão nuclear: Se os negociadores conseguirem chegar a um consenso, a próxima etapa das conversas provavelmente se concentrará no programa nuclear iraniano. Vance disse a repórteres, ao partir para a Suíça no sábado, que espera fazer algum progresso sobre o assunto neste fim de semana. No acordo inicial, o Irã concordou em "não adquirir ou desenvolver armas nucleares", mas as partes concordaram em aguardar para decidir o que fazer com o estoque de material nuclear enriquecido de Teerã até que entrassem em um prazo de 60 dias para negociar os termos finais. O que acontecerá com esse estoque tem sido um dos principais pontos de discordância nas negociações, portanto, não é um obstáculo pequeno.
* Com informações de CNN e Estadão





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