EUA revogam visto da embaixadora brasileira e condicionam devolução a aval de Trump
Washington transforma diplomacia em chantagem e deixa representante do Brasil em limbo burocrático
Washington condiciona devolução do visto da embaixadora brasileira ao agrément do indicado americano: a diplomacia do “ou você aceita, ou fica sem documento”.Em mais um episódio que desafia qualquer manual de relações internacionais, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e condicionaram a devolução do documento a uma coisa bem simples: o governo brasileiro tem que dar o aval diplomático (agrément) ao indicado de Donald Trump para a embaixada americana em Brasília, o republicano Daniel Perez. Sim, você leu direito.
A embaixadora de um país soberano, que se apresenta como farol da democracia, teve o visto cancelado. Não porque cometeu crime, não porque violou a Convenção de Viena, não porque ofendeu alguém em público. Porque o Brasil está demorando para aceitar o nome que Washington escolheu. E, de quebra, os americanos ainda lembraram que o Itamaraty negou visto a dois diplomatas deles semanas atrás. Reciprocidade, disseram. O Departamento de Estado foi claro: a diplomata pode continuar nos Estados Unidos (não foi declarada persona non grata), mas se sair, não volta sem novo visto.
E o visto volta rapidinho… assim que o Brasil der o “sim” para Perez. Uma espécie de “pagamento na entrega”. Chantagem diplomática? Pressão eleitoral às vésperas das eleições brasileiras? Interferência? Tudo isso ao mesmo tempo, segundo o governo brasileiro, que classificou as justificativas americanas de “falsas” e falou em escalada de medidas hostis. Como é possível? Um país que não cansa de se apresentar como modelo de democracia e respeito às instituições trata a representante oficial de outra nação como se fosse refém de um acordo comercial.
“Aceita nosso embaixador ou a sua fica sem papel.” Impressionante. Isso nunca aconteceu. Ou melhor: acontece agora, em pleno 2026, e a resposta automática de sempre já paira no ar: vai dizer que a culpa é do Bolsonaro também? Que a demora no agrément é herança do governo anterior? Que o protocolo diplomático quebrado pelos americanos (anunciaram o nome antes da consulta formal) é culpa de alguém que nem está no poder?Que governo sem vergonha.
Não o americano, que pelo menos é transparente na pressão. O outro. Aquele que prega soberania, multilateralismo e “respeito mútuo” enquanto assiste sua embaixadora ficar em situação de limbo burocrático. A diplomacia virou troca de reféns de papel. E o mais absurdo: todo mundo finge que isso é normal. Enquanto isso, o Brasil segue sem embaixador americano em Brasília desde o início do governo Trump, Perez aguarda no limbo, e Viotti continua em Washington… sem visto válido. Democracia, reciprocidade e respeito às regras. Tudo isso junto e misturado num pacote que cheira a pressão pura e simples. E alguém ainda vai tentar vender a narrativa de que o problema começou em 2019.









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