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Manaus sufoca sob fumaça. Os artistas sumiram.

Pior ar do Brasil, escolas fechadas e máscara obrigatória. Os mesmos que gritavam “Salve a Amazônia” agora estão em silêncio.


Manaus sufoca sob fumaça. Os artistas sumiram.

Manaus sob fumaça densa: ar perigoso, escolas fechadas e o silêncio dos artistas.

Manaus amanheceu nos dias 8 e 9 de outubro de 2026 encoberta por fumaça de queimadas. A capital registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a IQAir. O índice chegou a 366 (nível “perigoso”), com PM2.5 em 258,2 µg/m³ — muito acima do limite da OMS (cerca de 15 µg/m³ em média de 24h).

A Defesa Civil disparou alertas nos celulares pedindo uso de máscara. A Prefeitura decretou estado de atenção e suspendeu aulas na rede municipal. UFAM e IFAM também pararam atividades presenciais. Moradores relatam dificuldade para respirar, irritação na garganta e noites ruins. Em oito dias de outubro, houve 82 atendimentos de urgência ligados à fumaça; desde julho são 375.


Em setembro, o Amazonas teve 3.726 focos de calor — quase quatro vezes os 942 do mesmo mês de 2025. Nos primeiros nove dias de outubro a área queimada já superou em 97% a média histórica do mês inteiro. Incêndios duram dias ou semanas: em Itacoatiara (Lago do Canaçari) o fogo já passa de 20 dias e consumiu cerca de 1,3 mil hectares. Careiro da Várzea e outros municípios da Região Metropolitana também ardem.

A seca é severa (El Niño). De julho a setembro Manaus acumulou só 44 mm de chuva (média esperada: 202 mm). Agosto fechou sem chuva. A floresta ressecada faz o fogo escapar de pastagens e áreas já abertas e avançar sobre a mata. A proibição estadual do uso do fogo só veio em 9 de setembro, depois de agosto já registrar mais de 2.200 focos.


Queimadas no Amazonas: fotos revelam fumaça e destruição no estado | G1O silêncio artístico

Enquanto Manaus e a região metropolitana respiram fumaça e a Defesa Civil pede máscara, artistas e figuras que em anos anteriores lançaram campanhas, hashtags, vídeos e shows sobre “Salve a Amazônia” permanecem calados nas redes.

O cantor Davi Sacer (final de setembro) criticou diretamente: “Há poucos anos, a Amazônia queimava e a classe artística inteira falava. Campanha, hashtag, vídeo, show. Hoje a fumaça chega em Manaus, os focos no Amazonas disparam, e o silêncio é geral. A floresta é a mesma. O fogo é o mesmo. Só mudou quem está no poder.” Comentários em reportagens e posts nas redes repetem o mesmo questionamento: cadê os artistas da Globo e os ativistas de plantão?


O contraste é direto. Em governos anteriores a mobilização era alta e visível. Agora, com a capital amazonense no topo do ranking de poluição do país, escolas fechadas e moradores relatando que estão “sendo defumados vivos”, as mesmas vozes estão ausentes. A crise é real, mensurável e está documentada por satélites da NASA, IQAir, Selva (UEA) e Corpo de Bombeiros. O silêncio também é mensurável.




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