Wagner Moura: Oscar Perdido, Palanque Ganho
Mais uma vez, o ator transforma indicação em plataforma anti-Bolsonaro e deixa o cinema em segundo plano
A noite de gala do Oscar 2026 terminou sem a tão esperada estatueta para o Brasil na categoria de Melhor Ator. Wagner Moura, que fez história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao prêmio nessa categoria por sua atuação em O Agente Secreto (dirigido por Kleber Mendonça Filho), viu o troféu escapar para Michael B. Jordan, vencedor por Pecadores. O filme brasileiro, que concorria também em Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Seleção de Elenco, saiu de mãos vazias – mais uma vez, o país ficou apenas com o consolo de “indicações históricas”.
Mas, para muitos espectadores e internautas, o maior destaque da participação de Moura não foi a atuação no longa, e sim o que ele fez de melhor fora das telas: usar qualquer holofote internacional como palanque para ataques políticos. Durante a campanha pelo Oscar, em entrevistas a veículos como CNN, Variety, El País e The Washington Post, o ator mal conseguia falar sobre o filme sem direcionar a conversa para Jair Bolsonaro e Donald Trump.
Em uma declaração à El País, Moura comparou abertamente o ex-presidente brasileiro ao americano, afirmando que “as semelhanças entre a história recente do Brasil e dos Estados Unidos são óbvias”, e chegou a dizer que tem medo de “encontrar a ICE” (agência de imigração dos EUA) por causa do “momento feio” que o país vive. Em outra entrevista, chamou Bolsonaro de “fascista” logo após vencer o Globo de Ouro, e em várias ocasiões repetiu que o ex-presidente “não veio de Marte”, mas é produto da história brasileira – sempre com o tom de quem vê paralelos inevitáveis com Trump.
Críticos e internautas conservadores não perdoaram: estimativas informais em redes sociais apontam que, a cada 20 palavras ditas por Moura em entrevistas durante a temporada de premiações, pelo menos 18 eram dedicadas a atacar Bolsonaro, criticar a direita ou traçar paralelos com o trumpismo. O que começou como promoção de um filme sobre a ditadura militar brasileira rapidamente virou uma maratona de lacração política, com pouco espaço para discutir a performance que, segundo muitos, merecia sim o reconhecimento.
“O cara perde o Oscar e ainda sai como vítima do fascismo global. É o roteiro de sempre”, ironizou um usuário no X (antigo Twitter), resumindo o sentimento de parte do público brasileiro que acompanhou a cobertura. Enquanto o filme O Agente Secreto foi elogiado pela crítica internacional, a presença constante de agendas ideológicas nas falas de Moura acabou ofuscando o feito histórico – e, para alguns, reforçando a imagem de que ele prioriza o ativismo político em vez da arte.No final das contas, o Brasil segue sem um Oscar de atuação masculina. E Wagner Moura, mais uma vez, transforma a frustração em combustível para discursos que dividem opiniões – mas que, convenhamos, rendem bem mais cliques do que qualquer estatueta dourada.







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