Justiça proíbe entrevista da Record com Marco Antônio Heredia e ele é preso
Justiça do Ceará censura a Record, impede a exibição da entrevista de Roberto Cabrini com Marco Antônio Heredia no Domingo Espetacular e decreta a prisão preventiva do ex-marido de Maria da Penha.
A Justiça do Ceará proibiu a Record de exibir no Domingo Espetacular deste domingo (9 de agosto de 2026) a entrevista exclusiva de Roberto Cabrini com Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha Maia Fernandes. A decisão, tomada no plantão judicial pelo juiz Cesar Morel Alcantara, também determinou a retirada imediata de todos os conteúdos promocionais e trechos relacionados das plataformas digitais e redes sociais da emissora, além da preservação de todo o material da produção (arquivos, edições, contratos etc.). Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 100 mil. Heredia foi preso preventivamente no mesmo domingo em Natal (RN), em ação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte articulada com o Gaeco/MP. O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu a prisão porque a entrevista e sua divulgação violaram medidas protetivas de urgência impostas em 2024 pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza. Desde 2024, ele estava proibido de divulgar informações sobre o processo e de propagar o nome ou a imagem de Maria da Penha e de duas de suas filhas em mídias sociais, aplicativos ou qualquer ambiente virtual.
Marco Antônio Heredia Viveros (colombiano naturalizado brasileiro) foi condenado por duas tentativas de feminicídio contra Maria da Penha em 1983: um tiro nas costas enquanto ela dormia (que a deixou paraplégica) e uma tentativa de eletrocussão. O caso, após anos de demora na Justiça brasileira e condenação do país pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, deu origem à Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que completa 20 anos. Heredia sempre contestou a condenação e tem divulgado, ao longo dos anos, a versão de que o caso seria uma “fraude”. Ele chegou a se envolver em ações e conteúdos (incluindo um documentário) que o Ministério Público do Ceará considera campanha de ódio, com uso de laudo pericial adulterado. Em março de 2026, ele e outras três pessoas viraram réus por esses fatos.
A entrevista gravada por Roberto Cabrini (que anunciava a “versão” de Heredia) não chegou ao ar exatamente por causa da restrição judicial já existente. A Record retirou o material promocional após a ordem. O episódio reabre o debate sobre limites da liberdade de imprensa frente a medidas protetivas da Lei Maria da Penha e sobre a persistência de narrativas que questionam o caso histórico.









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